domingo, 15 de novembro de 2009
Augustana - Boston
Tão sem vontade. (é isso)
Literalmente, "to bom bode de pessoas".
Tenho adorado passar horas e mais horas no meu quarto. Eu e a minha cama em uma relação de profundo afeto e adoração. Tirando o meu sono que é abuuuso de tanto.. a minha cama é um tanto quanto maravilhosa.
As coisas continuam iguais, tirando o fato de que meus pais voltaram. (Adeuuus independência com o carro!)
Tenho corrido, no passo de final de ano.
Porém essa semana, eu descobri que tentar correr em volta do maracanã, pra quem está acostumado a correr em volta do Praia de Belas, não pode acabar bem.
Fiquei de cama, doente, mal pra caramba.
O que me preocupa, terceira vez no ano que isso acontece. Levando em consideração que é bem raro eu ficar doente. Preocupante. Enfim..
Amanhã já devo voltar para a minha maravilhosa rotina. Cof cof.
Aniversário chegando.
Final de ano batendo na porta.
Planos e decisões implorando por soluções.
E só fica uma frase ecoando em mim:
"I think I need a new town, to leave this all behind
I think I need a sunrise, I'm tired of the sunset "
Augustana - Boston
Eu acho que eu preciso de uma nova cidade, pra deixar isto tudo pra trás. Eu acho que preciso de um nascer do sol, eu estou cansada do pôr do sol.
Sobre essa música? É tem certas coisas que não mudam.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Rio, você foi feito para mim.
O momento de despedida é sempre dolorido. Porém para mim, o momento de despedida do Rio de Janeiro, sempre tira um pedaço quase que inteiro do meu coração. Acabo então por deixar uma Lucianna lá. Uma Lucianna que eu amo.
Ir e voltar do Rio de Janeiro, provoca em mim duas sensações de intenso chôrôrô. É o medo de ir e não querer voltar, e ao final dos dias, é o medo de voltar e nunca mais conseguir ir.
Eu não preciso que entendam minha paixão pelo Rio de Janeiro, somente que respeitem.
Dessa vez, não tive qualquer problema com assunto do tipo: "decepções e problemas amorosos". Porém meu coração ficou apertadinho na hora de entrar na sala de embarque. Acho que de alguma forma foi melhor eu ir embora sozinha, sem ninguem me acompanhando ao aeroporto. Mas admito, que quando entrei na sala de embarque e estava quase chegando no detector de metais, eu voltei e olhei o sol.
Coloquei os óculos e uma lágrima caiu.
O dia estava nascendo, e eu queria tanto ficar ali. Queria tanto tanto, que a minha vontade era de fazer birra, uma daquelas enormes, que deixam as mães envergonhadas.
Chorei como poucas vezes. Chorei de felicidade, e por perceber que ali eu gosto de estar, que é no Rio que eu consigo ser mais simples, mais calma, mais amorosa, mais família. O Rio de Janeiro, provoca em mim uma sensibilidade que salta pelos poros.
Foram três dias que eu amei.
Mas o ponto auge, foi quando eu sentei na areia da Marina da Glória, de frente para um Pão de Açúcar, sereno e lindo. Ele era silencioso para os outros, mas dentro de mim, aquela imagem berrava tantas coisas, que eu só conseguia ficar em silêncio. No fundo, acho que passaram tantas coisas pela minha cabeça, que tudo se resumia em.. eu vou voltar, e para ficar.
(Sorrindo eu falei baixinho..)
"É aqui que eu quero estar."
Voltar para Porto Alegre não me deixou empolgadíssima, não me deixou calma, simplesmente anestesiada. Querendo muito chegar em casa, juntar minhas roupas e voltar para o Rio.
O Rio é pra mim, algo sem fim.
É chorar sem medo de quem iria me ver. É caminhar pelo aeroporto, querendo guardar cada pedacinho daquele espaço pra mim. É dar, literalmente, de cara.. com esses versos nas paredes do Galeão:
"Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim"
Samba do Avião - Tom Jobim
domingo, 18 de outubro de 2009
Odisséia e trauma;
E acho que todos os jovens de hoje em dia, deveria passar pela experiência que eu, de fato, estou passando.
Com meus pais viajando para fora do país, tenho assumido responsabilidades únicas e presenciado situação tão absurdas que me fazem sorrir de desespero. Qualquer dúvida eu preciso abaixar minha cabeça e assumir: eu não sei tudo. E além de assumir, ainda tenho que segurar minha vontade de ligar para eles (meus pais) em cada situação complicada. Eu, minha família e minha terapeuta sabemos muito bem o meu problema com: situação novas e complicadas. Eu literalmente, empaco. (Sim, de empacar, de parar, de não exercer nenhum movimento de aceleração uniforme).
Nessas últimas semanas eu aprendi que sentir falta e sentir saudade são dois sentimentos diferentes. Eu aprendi que a liberdade não está na falta ou no grande número de responsabilidades, mas sim o que nós fazemos com as responsabilidades que nos são entregues. Liberdade está diretamente ligado ao quanto você consegue se sentir sozinho. E para o meu espanto, eu não sei ficar sozinha.
Busquei por muito tempo uma auto suficiencia que nunca vou alcançar, e que eu, hoje, NÃO QUERO alcançar.
Nessas semanas eu aprendi que morar sozinho não é um bicho de sete cabeças. O que tem dez cabeças é o fato de que os seus pais, simplesmente, não vão estar ali quando você quiser um abraço fraternal. Afinal problemas com descarga, carros batidos, falta de gás podem ser resolvidos facilmente se você tiver uma boa lista telefônica ao lado. E mesmo que existisse um "disque abraço fraternal", nenhum terá o cheiro do meu pai, ou o toque da pele da minha mãe.
Eu percebi que ainda não é a hora certa para começar tudo novo de novo. Simplesmente ainda não construí um muro alto o suficiente para me dar empulso, um muro que me deixe mais alta e que de lá.. eu enfim.. possa abrir minhas asas.
O mais angustiante é nesse domingo a noite, descobrir que eu não sei o que fazer da minha vida, e que a area aonde eu trabalho não me deixa mais realizada. Não consigo mais ficar eufórica com o fim de um evento que deu certo.
É pensar, afinal, qual é o meu dom? (Macacos me mordam, PARA QUAL ÁREA EU VOU!?)
Nas últimas semanas eu já me mudei dez vezes para o rio de janeiro, já mandei minha chefe cinco vezes pra puta que o pariu, já pensei seriamente eu não abrir mais a caixa de correio e colocar fogo em todas as contas. Aí eu pensei, pra que? Se no fundo tudo é aprendizado.
Preciso absorver conhecimentos. Preciso voltar para as conversas sinceras, aonde eu não sumia dos meus amigos e tinha tempo para sentar e escutar todos os seus problemas.
Mas ao mesmo tempo, eu não me sinto forte o suficiente. Fazer terapia, me fez tocar em certos pontos do meu passado que ainda me fazem sangrar, BEM mais do que eu imaginei. Não quero passar por coitada, ou como sofredora de um grande amor que me dilacerou. Mas nessas últimas semanas, o silêncio na casa me fez ver que eu não me conheço, e que certas repreensões no passado, hoje, ainda conseguem me deixar com muita raiva. Em pensar que só queriam o melhor pra mim, acabaram por me colocar no local aonde eu mais chorei.
Se os colégios fossem capaz de descobrir o grande número de traumas que deixam na vida das pessoas. Ah se eles soubessem...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Me deseja alguma coisa bem boa e uma força maior do que qualquer sentimento.
Me diz: "boa sorte" e acredita em mim.
Me abraça e diz que eu sempre vou lembrar desse gesto único. Gostoso.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Só.
Durante algum tempo, morando sozinha, e isso parecia algo tão bom, tão certo e tão maravilhoso, que eu nem parei para lembrar do sono que eu senti quando no início desse ano eu também fiquei sozinha. É bizarro o tanto de sono que eu sinto.
De qualquer forma, ficar sozinha no primeiro final de semana foi tranquilo.
Porém no início da semana foi complicadíssimo acordar e ter que ir "all by my self" pra PUC de carro.
Foi então que eu comecei a perceber, coisa simples.. como o fato da geladeira simplesmente não estar sempre cheia de comida. Eis que eu fui para o supermercado!
Foi quase como entrar em outro planeta, qualquer coisa era boa, até porque eu não tinha como comparar porque eu nunca tinha feito compras na minha vida!!! Eu só passava pelo setor de doces e refrigerante! (Ora bolas!)
Outra constatação foi de que a gasolina do carro acaba. Sim meus amigos, um dia a gasolina acaba! E lá fui eu parar num posto sem nem saber o que pedir. (Quanto eu consigo andar com um litro mesmo?)
Hum, né, oi?, como assim?
"Moço colocar vinte reais?"
E eu que sempre questionei e palestrei sobre o quanto as pessoas que moram sozinhas reclamam, hoje eu admito: não abro mais minha boca.
É péssimo chegar em casa e só ouvir os barulhos que nós mesmos fazemos. Ter só uma toalha de banho no banheiro. Somente os copos que eu usei na pia. É tudo um tanto quanto assustador.
Tirando minhas constantes preocupações com o carro, como:
"Eu tranquei?"
"Fechei o vidro?"
"PORRA, aonde eu deixei o carro?"
Até hoje que simplesmente a chave não virava! PRONTO! FIM DO MUNDO!
Se eu não tivesse na puc, e não estivesse perto do meu trabalho, eu juro que tinha ligado pro meu pai: "oi pai eu sei que tu tá do outro lado do mundo, mas a chave do carro não vira!!!".
Ok, eu liguei pro trabalho e voltei correndo pra lá. Quando uma mente iluminada (minha chefe) descobre que eu tinha trancado a direção.
TRANCADO A DIREÇÃO? QUE PORRA É ESSA?
É amiguinhos, lá fui eu, com a minha chefe, e a minha chefona para me ensinar a destravar a direção.
VERGONHA TOTAL E ABSURDA.
Mas pensando e lembrando, que tá sendo ótimo em outro sentido, afinal.. logo logo eu de fato, vou embora de porto alegre!
People, preciso agora correr pra PUC, antes que lote a ipiranga e eu tenha que ficar no "arranca-para". Wish me luck.
Quando der eu venho aqui contar algumas das minhas façanhas de morar sozinha.